Publicado em 23 Julho, 2020

O Teatro e a Peste

Cinco teatros, cinco actores, um texto.

Entre 31 de Julho e 16 de Agosto, o Teatro Romano (Museu de Lisboa), o Teatro São Luiz, o Teatro do Bairro Alto, o LU.CA – Teatro Luís de Camões e o Teatro Viriato recebem a recriação da conferência O Teatro e a Peste, de Antonin Artaud (1933), com concepção e encenação de John Romão e realização de Salomé Lamas, numa parceria EGEAC e Teatro Viriato.

Albano Jerónimo e a coordenadora do Teatro Romano, Lídia Fernandes, são os primeiros a subir ao palco, no dia 31 de julho, seguindo-se Cucha Carvalheiro com Aida Tavares, dia 2 de Agosto, no São Luiz; dia 7 é a vez de Mónica Calle com Francisco Frazão no Teatro do Bairro Alto; dia 12 serão Igor Regalla e Susana Menezes, no LU.CA – Teatro Luís de Camões; e, a terminar, dia 15 de Agosto, John Romão com Patrícia Portela sobem ao palco do Teatro Viriato. Os espectáculos acontecem sempre às 21.00, os teatros estarão sem público e a recriação chegará aos espectadores via streaming, no website e nas redes sociais da BoCA e nas redes sociais da EGEAC e dos equipamentos culturais parceiros.

 

O Teatro e a Peste
Antonin Artaud

A 6 de abril de 1933, a convite de René Allendy, Antonin Artaud propôs ao público da Sorbonne uma conferência com o estranho título O Teatro e a Peste. Ninguém prenunciava o espetáculo que ali iria ter lugar. A única documentação existente é apresentada no Diário, de Anaïs Nin: “Allendy e Artaud sentados atrás de uma grande secretária. Allendy apresentou Artaud. A sala estava apinhada. (…) não há palavras para descrever o que o Artaud interpretava no estrado da Sorbonne. Esquecia a conferência, o teatro, as suas ideias, o doutor Allendy ao seu lado, o público, os jovens estudantes, a sua mulher, os professores e os encenadores. Tinha o rosto em convulsões de angústia e os cabelos ensopados em suor. Os olhos dilatavam-se, enrijava os músculos, os dedos lutavam para conservar a flexibilidade. Berrava. Delirava. Representava a sua própria morte, a sua própria crucificação. As pessoas começaram a ficar de respiração cortada. Depois desataram a rir. Toda a gente ria! Assobiava. Por fim, as pessoas foram saindo uma a uma, com um grande ruído, a falar, a protestar. Ao saírem, batiam com a porta. (…) Mas Artaud continuava, até ao último suspiro.

Em abril de 2020, em pleno período de confinamento obrigatório, derivado da pandemia COVID-19, os teatros estão vazios. É recriada a conferência O Teatro e a Peste, de Antonin Artaud.

Um projeto de John Romão em colaboração com Salomé Lamas

Texto: Antonin Artaud
Tradução: Aníbal Fernandes e John Romão
Conceção: John Romão
Direção: John Romão e Salomé Lamas
Com: Albano Jerónimo e Lídia Fernandes (Teatro Romano), Cucha Carvalheiro e Aida Tavares (São Luiz Teatro Municipal), Mónica Calle e Francisco Frazão (Teatro do Bairro Alto), Igor Regalla e Susana Menezes (LU.CA), John Romão e Patrícia Portela (Teatro Viriato)
Direção de fotografia, correção de cor: Miguel Nabinho
Assistência de imagem: João Martinho
Direção de som, misturas: Miguel Martins
Montagem: Francisco Moreira
Música: Gabriel Ferrandini
Grafismos: Diogo Dias João
Estúdio de imagem e equipamento: Screen
Estúdio de som e equipamento: McFly
Assessoria de imprensa: Helena César
Documentação fotográfica: Bruno Simão
Produção executiva: John Romão e Salomé Lamas
Produção: BoCA
Co-produção: EGEAC, Teatro Viriato
Parceria: São Luiz Teatro Municipal, Teatro Romano, Teatro do Bairro Alto, LU.CA – Teatro Luís de Camões
Parceria Media: Antena 1, Antena 2
Agradecimentos: Aníbal Fernandes, Joana Gomes Cardoso, Jonas Omberg

 

O vírus de “O Teatro e a Peste” vai-se expandindo geograficamente por diversos teatros nacionais e internacionais.
Acompanha no mapa a evolução do contágio, a partir de 31 de Julho aqui