Publicado em 29 Maio, 2018

Júlio Pomar (1926 – 2018)

JÚLIO POMAR nasceu em 1926 em Lisboa. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio e as Escolas de Belas-Artes de Lisboa e Porto, tendo participado em 1942 numa primeira mostra de grupo, em Lisboa, e realizado a primeira exposição individual em 1947, no Porto, onde apresentou desenhos.

Nesses anos a sua oposição ao regime de Salazar acarreta-lhe uma estada de quatro meses na prisão, a apreensão de um dos seus quadros pela polícia política e a ocultação dos frescos com mais de 100 m2, realizados para o Cinema Batalha no Porto. Permanece em Portugal até 1963, ano em que se instala em Paris.

De uma obra que se prolonga por sete décadas, o autor destaca, após o período inicial, dito neo-realista, as exposições «Tauromachies» e «Les Courses» (Galerie Lacloche, Paris, 1964 e 1965); a participação numa mostra dedicada ao quadro de Ingres Le Bain Turc pelo Museu do Louvre (1971); as séries de pinturas Mai 68 (CRS SS) e Le Bain Turc (Galeria 111, Lisboa); as exposições «L’Espace d’Eros» (Galerie de la Différence, Bruxelas, 1978) e «Théâtre du Corps» (Galerie de Bellechasse, Paris, 1979); «Tigres» (Galerie de Bellechasse e Galeria 111, 1981 e 1982); «Um ano de desenho – quatro poetas no Metropolitano de Lisboa» (estudos preparatórios para a estação Alto dos Moinhos) em 1984 no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, que já em 1978 promovera a sua primeira exposição retrospectiva; «Ellipses» (Galerie de Bellechasse, Paris, 1984); e «Mascarados de Pirenópolis» (Galeria 111, ARCO, Madrid, 1988).

O Atelier-Museu
Em 2000, a Câmara Municipal de Lisboa adquire um antigo armazém na Rua do Vale, na freguesia das Mercês, destinado a ser o atelier do artista e mais tarde, museu a integrar a rede de estruturas museológicas do Município.

A obra de requalificação, segundo um projecto de Álvaro Siza Vieira, que desde o início procurou conjugar esses dois destinos, prolongou-se por vários anos e, em 2010, o artista propôs abdicar do seu uso como atelier, tornando possível antecipar a inauguração do espaço como museu. O nome do equipamento que veio a ser criado – Atelier-Museu – transporta a memória do programa fundador e adequa-se às características funcionais do espaço.