Paisagens Interiores de Filipe Branquinho

A Galeria Av. da Índia inaugura a exposição individual de fotografia “Paisagens Interiores”, de Filipe Branquinho, uma co-produção entre as Galerias Municipais Egeac e o Centro Cultural Português de Maputo / Camões, I.P., onde a exposição  esteve patente de novembro de 2015 a janeiro deste ano.

Podendo agora ser vista em Lisboa, “Paisagens Interiores” resulta do projeto fotográfico desenvolvido entre 2011 e 2015 pelo fotógrafo moçambicano, e pretende narrar a cidade onde nasceu, vive e trabalha, conhecer as suas histórias no cruzar dos tempos, aqueles que a percorre(ra)m e a habita(ra)m, aqueles que a construíram e constroem.

A exposição é acompanhada por um catálogo com o mesmo nome, e textos da autoria de Alexandra Pinho, diretora do Centro Cultural Português de Maputo, Joana Gomes Cardoso, Presidente do Conselho de Administração da EGEAC, e ainda de Mia Couto, Sandra Vieira Jürgens, José Pinto de Sá, José Carrilho e José Forjaz.

No texto de abertura do catálogo, Alexandra Pinho sublinha que nesta exposição, Branquinho se afasta de um registo documental convencional ou de uma busca em fixar edifícios icónicos da cidade, e apresenta uma série de 24 fotografias ao longo da qual nos propõe uma viagem por espaços públicos e semipúblicos da cidade, geralmente interiores de edifícios, saturados de vestígios e passagens, de histórias e indícios, de uma oscilação permanente entre presente e passado que prende o olhar. Cinemas, rádio, associações, arquivos, escolas, piscinas são revisitados sem nostalgia pelo olhar perscrutador, apaixonado e depurado do fotógrafo.

Com “Paisagens Interiores” Filipe Branquinho propõe um debate sobre Maputo enquanto cidade africana pós-colonial. Uma cidade que se constrói diariamente, na busca de respostas a aspirações a uma modernidade de contornos difusos. É um registo intersticial da memória presente que abre o debate sobre o futuro.

Em 2015, “Paisagens Interiores” foi já objeto de reconhecimento internacional quando, em abril, Filipe Branquinho venceu o Prémio Internacional para Fotografia Contemporânea Africana Popcap’15. A série volta a ter destaque internacional com a seleção de um conjunto de fotografias para a exposição principal – “Telling Time” – da 10.ª Bienal Africana Encontros de Fotografia de Bamako, que decorreu até 31 de Dezembro na capital do Mali.

 

Filipe Branquinho nasceu em Maputo, Moçambique, em 1977, onde vive e trabalha. Tendo crescido durante a guerra civil, num ambiente intimamente ligado ao mundo do jornalismo e das artes, tornou-se particularmente envolvido no campo da fotografia através do contacto com alguns dos maiores nomes da fotografia moçambicana, como Ricardo Rangel, Kok Nam e José Cabral. Fotógrafo autodidata, estudou arquitetura na Universidade Eduardo Mondlane em Maputo e na Universidade Estadual de Londrina, no Brasil. Na sua prática aborda questões do foro social, debruçando-se sobre a realidade moçambicana, especialmente os modos de vida da população, as mitologias e as dinâmicas urbanas. Explora temas como a diferença de classe, cultura, política, memória coletiva ou o trabalho. O estilo de Branquinho combina a sua filiação arquitetónica e a familiaridade com a “escola” de fotografia moçambicana, fundindo géneros como o retrato e a paisagem. Os retratos “ambientais”, cujos modelos, normalmente tipificados em grupos, posam para o fotógrafo nos seus lares ou ambientes laborais, são uma marca forte do seu trabalho: ao mesmo tempo que são retratos individuais, as imagens documentam uma sociedade em mudança, fazem um levantamento ou um inventário das cidades e da arquitetura, sugerem histórias pessoais, documentam e traçam um mapa de uma África contemporânea, negando qualquer demanda pelo exotismo.

É autor das seguintes séries fotográficas: Ocupações (2011-2014); Showtime (2012-2013); Chapa 100 (2013); Vila Algarve (2013 – projeto em curso); Ungulani (2014); Gurué (2014 – projeto em curso); Paisagens Interiores (2011-2015).

 

PAISAGENS INTERIORES é uma coprodução do Centro Cultural Português em Maputo / Embaixada de Portugal e a Câmara Municipal de Lisboa – EGEAC. O projeto conta com o apoio do Mozabanco, Betar, Faculdade de Arquitetura da Universidade Eduardo Mondlane, José Forjaz Arquitetos, Kioske Digital, Promar, Soperfis, Parallelo e Anima.