2 Novembro, 2015

Cinema São Jorge em novo processo de classificação

A Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) abriu um novo processo de classificação do edifício do Cinema São Jorge e do património integrado junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa.

O anúncio de abertura de novo processo de classificação do edifício saiu em Diário da República no passado mês de outubro, uma vez que o anterior processo, de 1989, se extraviou.

“Atendendo que até ao momento não foi possível localizar o processo de classificação, procedemos a novo estudo de modo a sustentar o procedimento de classificação”, lê-se na documentação disponibilizada pela DGPC na página oficial.

O cinema São Jorge é atualmente um dos equipamentos culturais sob gestão da EGEAC, sendo particularmente utilizado para festivais de cinema e concertos, embora possa acolher outras atividades.

“Se existe sala em Lisboa, ou mesmo no país, que corporiza a ideia de cinema no apogeu desta forma de expressão artística, esta é sem dúvida o Cinema São Jorge”, afirma a DGPC, no despacho.

O cinema São Jorge foi construído entre 1947 e 1950 com projeto do arquiteto Fernando Silva, tendo sido inaugurado a 24 de fevereiro daquele ano. Localizado na Avenida da Liberdade, à data da sua inauguração, transformou-se no maior cinema do país. Com capacidade para quase 2000 pessoas, o seu design arrojado, a sua excelente acústica e todas as inovações técnicas que a sua estrutura apresentou à cidade deram ao Cinema São Jorge o prémio Valmor de 1951.

Até à década de 80, a Avenida da Liberdade e sua envolvente acolhiam várias salas de cinema históricas. Eden, Condes, Tivoli, Politeama, o Odeon e o próprio Cinema São Jorge fazem parte do imaginário dos lisboetas até à década 1980.

No início dos anos 1980, depois de ter somado mais de 21 milhões de espectadores, o cinema encerrou para obras de remodelação, tendo sido dividido em três salas de exibição. Em 1989, um despacho da então Secretaria de Estado da Cultura determinava a classificação do cinema São Jorge com imóvel de interesse público.

Contudo, no final do século passado, no contexto de chegada dos multiplex, com a mudança do paradigma de consumo cultural, sobretudo na área do cinema, e com os constrangimentos financeiros existentes surgiram as condições para o encerramento de múltiplas salas de cinema da capital e para a degradação do espaço do Cinema São Jorge.

Em 2000, o cinema voltou a encerrar e, no ano seguinte, a autarquia de Lisboa comprou o edifício, realizando obras de recuperação na fachada e nos interiores. Desde 2003 está sob a alçada da EGEAC. Desde a sua reabertura, em Maio de 2006, têm convergido todos os esforços para proporcionar aos visitantes do São Jorge uma programação e um serviço de qualidade.